Sugar Blues
William Duffy

Sugar. Açúcar [Do sãnscr. çarkara, 'grãos de areia', prácrito sakkar, atr. do ár. As-sukkar] S. m. Sacarose refinada, C12H22011 produzida pelo múltiplo processamento químico do suco de cana-de-açúcar ou da beterraba e pela remoção de toda fibra e proteína, que representam 90 por cento da planta.

Blues. Um estado de depressão ou melancolia revestido de medo, ansiedade e desconforto físico (freqüentemente expresso liricamente como uma crônica autobiográfica de um desastre pessoal).

Sugar Blues. Múltiplas penúrias físicas e mentais causada pelo consumo de sacarose refinada ― comumente chamada açúcar.


O açúcar refinado, constituído de 99% de sacarose, necessita, para ser metabolizado, dos seus componentes originais, tais como cálcio, ferro e vitaminas do complexo B; eliminadas no processo de refinamento, essas substâncias serão literalmente roubadas dos ossos, dos dentes e das reservas orgânicas .


Do capítulo "Os Doces Bárbaros":

... Muitos de nós temos, hoje, hábitos de comer açúcar tão arraigados que nos é difícil imaginar a relação dos cruzados (que nunca o haviam provado), extenuados, nas terras dos infiéis, fazendo suas primeiras doces viagens.

No livro Beyond the Chindwin, Bernard Fergusson nos conta o que acontecia quando homens exaustos, ao ponto de não conseguirem ao menos falar, recebiam uma dose de calda de açúcar: "... o resultado imediato era surpreendente, como um moderno Pentecostes. Nossas línguas se desenrolavam e falávamos perfeitamente."1 Uma substância capaz de provocar essa reação em musculosos adultos não deveria ser aquela oferecida como regalo de Natal às crianças. Temos aqui uma substância mais intoxicante que cerveja ou vinho e mais potente que muitas drogas e poções então conhecidas pelo homem. Não é de se estranhar que médicos árabes e judeus usassem o açúcar refinado com extremo cuidado, em minúsculas quantidades, adicionado às suas prescrições. Ele era capaz de embaralhar todo o cérebro. Poderia fazer com que o corpo e o cérebro humano subissem, de um só pulo toda a escala musical, indo da alucinação à exaustão.

Hoje os endocrinologistas podem nos dizer como isso ocorre.

A diferença entre vida e morte é, em termos químicos, menor do que a diferença entre água destilada e aquela coisa que sai pela torneira.

O cérebro é, provavelmente, o órgão mais sensível do corpo. A diferença entre sentir-se eufórico ou deprimido, são ou insano, calmo ou muito louco, inspirado ou melancólico depende, em larga escala, daquilo que você põe na boca. Para a máxima eficiência do corpo ― do qual o cérebro é apenas uma parte ― o volume de glicose no sangue deve estar em equilíbrio com o volume de oxigênio. Como observaram os Drs. E. M. Abrahamson e A. W. Pezet, no livro Body, Mind, and Sugar, "... uma condição em que o nível de açúcar no sangue seja relativamente baixa... tende a sufocar as células do corpo, especialmente as células cerebrais. Tal condição é tratada através de dieta... O que nos ocorre quando as células de nosso corpo, e especialmente de nosso cérebro, encontram-se cronicamente subnutridas? As células mais fracas, mais vulneráveis... sofrem primeiro." (O grifo é nosso.) Quando tudo vai bem este equilíbrio é mantido, com grande precisão, sob a supervisão de nossas glândulas supra-renais. Quando ingerimos o açúcar refinado (sacarose), ele está a um passo de se tomar glicose, de forma a escapar grandemente aos processos químicos de nosso corpo. A sacarose passa diretamente para os intestinos, onde toma-se glicose "pré-digerida ". Esta, por sua vez, é absorvida pelo sangue onde o nível de glicose já havia sido estabelecido, num preciso equilíbrio com o do oxigênio. Desta forma, o nível de glicose no sangue é dramaticamente elevado. O equilíbrio é rompido. O corpo entra em crise.

O cérebro é o primeiro a registrá-la. As cápsulas supra-renais expelem hormônios que conduzem todas as reservas químicas para enfrentar o açúcar: a insulina das "ilhotas" do pâncreas tem a função específica de controlar o nível de glicose no sangue, num antagonismo complementar aos hormônios supra-renais, ocupados em mantê-lo elevado. Tudo isso num clima de emergência, com resultados previstos. Indo tão rápido, tem uma atuação profunda. O nível de glicose do sangue cai bruscamente e uma segunda crise se origina da anterior. As ilhotas pancreáticas têm que fechar, o mesmo ocorrendo com alguns departamentos das cápsulas supra-renais. Outros hormônios supra-renais devem ser produzidos para regular a reversão na direção química e novamente elevar o nível de glicose do sangue.2 Tudo isso se reflete na maneira como nos sentimos. Enquanto a glicose está sendo absorvida pelo sangue, nos sentimos eufóricos. Um rápido empurrão. No entanto, essa onda de energia hipotecada é sucedida por períodos de depressão. Quando o nível de glicose do sangue cai ficamos apáticos, cansados; precisamos esforço para nos mover e até mesmo para pensar, enquanto o nível de glicose do sangue está novamente se elevando. Nosso pobre cérebro fica vulnerável a suspeições e alucinações. Podemos nos tomar irritados, nervosos, sobressaltados. A severidade da crise, no ápice de outra crise, depende da sobrecarga de glicose. Se continuamos a ingerir açúcar uma nova crise dupla está sempre começando, antes da anterior terminar. No fim do dia, a crise cumulativa poderá se tornar um desastre irreparável.

Após anos de dias como este, o resultado final é a avaria das glândulas adrenais. Elas se tornam gastas, não por trabalho excessivo, mas por contínuas surras. A produção global de hormônios é baixa, os volumes não se harmonizam. Este funcionamento irregular, desequilibrado, se reflete por todo o circuito supra-renal. O cérebro poderá, em breve, ter problemas, tomando o irreal por real; somos passíveis de enlouquecer. Quando chega o stress, ficamos em pedaços porque não mais possuímos um sistema endócrino saudável para enfrentá-lo. Nossa eficiência se esvai a cada dia, estamos sempre cansados, parece que nunca conseguimos terminar coisa alguma. Realmente contraímos o sugar blues.

Membros da classe médica que têm estudado este problema observam que, "como as células do cérebro são aquelas que dependem inteiramente do momentâneo nível de açúcar no sangue para sua nutrição, talvez sejam elas as mais suscetíveis a avarias. O número perturbadoramente grande e sempre crescente de neuróticos em nossa população deixa isso completamente evidente." Não são todas as pessoas que passam por tudo isso. Alguns, no começo, têm adrenais fortes; outros, como o finado presidente Kennedy, não. Os graus de abuso do açúcar e de sugar blues variam. No entanto, o corpo não mente. Se você come açúcar, sente as conseqüências.

O falecido endocrinologista John W. Tintera foi bastante enfático: "É perfeitamente possível melhorar sua disposição, aumentar sua eficiência e alterar para melhor a sua personalidade. A maneira de fazer isso é evitando o açúcar de cana e de beterraba sob todas as suas formas e disfarces."

 


INTRODUÇÃO DO LIVRO:

Sugar Blues ― originariamente nome de um lamento dos negros americanos do inicio do século e utilizado aqui, com rara propriedade, para definir toda a gama de distúrbios físicos e mentais causados pelo consumo da sacarose refinada, comumente chamada açúcar ― é um relato detalhado das circunstâncias escusas que permitiram a ascensão do açúcar da categoria de droga rara e de alto custo, como o ópio, a morfina e a heroína, a sustentáculo da dieta do homem moderno.

A história do açúcar envolve, desde o seu início, a experiência amarga de muitos em garantia da doce vida de poucos. Cultivado por mãos escravas, seu consumo limitou-se inicialmente às elites. O desenvolvimento da industrialização da cana, entretanto, prometia as perspectivas de um mercado altamente promissor: o uso do açúcar, a exemplo de outras drogas formadoras de hábito, garantia um número crescente de ansiosos consumidores.

Posteriores constatações dos inúmeros distúrbios orgânicos causados pelo consumo indiscriminado do açúcar, em especial do açúcar refinado ― o aparecimento do escoburto e do beribéri entre povos até então imunes a essas doenças e o aumento assustador de diabéticos, hipoglicêmicos e portadores de distúrbios funcionais generalizados nos grandes centros populacionais, onde a sacarose da cana já era adicionada ao preparo de praticamente todos os alimentos ―, em nada afetaram esse lucrativo comércio. Instituições com nomes enganadores como The Nutrition Foundation, Inc. ― uma organização testa-de-ferro dos interesses de cerca de 45 companhias que exploram o comércio alimentício, entre elas a American Sugar Refining Co., a Coca-cola, a Pepsi-Cola e a Curtis Candy Co. ― foram criadas e devidamente subvencionadas pelas grandes indústrias açucareiras com o objetivo de ― tarefa ingrata! ― descobrir e alardear improváveis benefícios que o açúcar causaria ao organismo humano. Bilhões de dólares foram ― e são ― gastos sistematicamente apenas para assalariar a consciência de médicos e nutricionistas e produzir conceitos enganadores do tipo "açúcar é energia".


O maior sistema de comunicações que o mundo já conheceu é utilizado para mascatear venenos dissimulados em atrativas embalagens. Conhecer esses engodos publicitários pode significar a diferença entre a saúde e a doença.

Mas Sugar Blues é mais que uma denúncia: irônico, ao mesmo tempo assustador e divertido, é, principalmente, um trabalho jornalístico inteligente e atual que aponta os meios para a libertação do vício institucionalizado da sacarose industrializada



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